A IMAGEM DE LEITOR EM O MENINO MARRON, DE ZIRALDO
Diléa Helena de Oliveira Pires - NAD/FALE/UFMG
Este trabalho faz parte de um projeto maior, ainda em curso, cuja expectativa é analisar a construção do sujeito na obra literária dita “Infantil” do autor Ziraldo, utilizando como arcabouço teórico principal, mas não único, a Teoria Semiolingüística de Patrick Charaudeau.
Trata-se de um estudo bibliográfico, de natureza observacional e analítica, na busca do reconhecimento dos sujeitos-discursivos e de seus respectivos papéis linguageiros1na referida obra.
Escolhemos este caminho, posto que acreditamos ser o discurso de um texto um organismo vivo, isto é, um inventário de signos impulsionadores das relações entre esse texto, seus leitores empíricos e as prováveis leituras produzidas por eles, em condições diversas.
O corpus deste projeto de dissertação constitui-se de 10 livros, todavia, nesse pesquisa experimental, abordaremos, apenas, o livro O menino marrom (vide Bibliografia).
Com efeito, nosso objetivo primordial é, como supracitado, descrever e tentar explicar o processo de construção do sujeito-destinatário (Tud), um dos protagonistas do discurso, já que acreditamos que, para melhor caracterizarmos uma obra, no que diz respeito às suas propostas de produção e interpretação/ interação, é importante uma abordagem da imagem de leitor, virtualizada pelo sujeito-escritor na instância enunciativa.
Por conseguinte, julgamos fundamental, do ponto de vista teórico, estabelecermos uma constante interlocução com a Análise do Discurso (que passaremos a chamar AD), em sua vertente francesa, principalmente a ligada às contribuições de Patrick Charaudeau, como também, às de Dominique Mangueneau, que tem contextualizado lingüisticamente a obra literária.
A perspectiva da AD interessa-nos, sobremaneira, já que prossegue à análise de um corpus de textos reunidos em nome de uma situação que os determina, ou seja, um mesmo contrato de comunicação. Assim, estudamos as suas constantes, para definirmos o gênero, e as suas variantes, para definirmos os tipos de estratégias utilizadas pelo sujeito-enunciador, a fim de atingir as expectativas previstas no contrato.
São essas constantes e essas variantes que perseguimos, na tentativa de reconhecermos o sujeito-destinatário que, freqüentemente, configura-se através de marcas lingüísticas (explícitas e/ou implícitas) inscritas pelo sujeito-enunciador no decorrer do processo de produção.
Para tanto, este trabalho se compõe desta introdução e do desenvolvimento que se constitui de duas seções: na seção um, fazemos uma exposição sucinta dos pressupostos teóricos, e na seção dois, fazemos uma aplicação prática desses pressupostos teóricos à narrativa em estudo. Após a seção dois, procedemos a uma conclusão, embora provisória, seguida das referências bibliográficas e dos anexos.
A importância desta pesquisa textual, intertextual e situacional voltada para esse campo literário, liga-se não só ao seu alcance social, especialmente junto ao ensino de 1º Grau, como também ao tratamento, em profundidade, de uma tipologia que tem atraído ainda poucos pesquisadores, e, quando o fazem, acentuam uma orientação metodológica que recai predominantemente em estudos de caso, apresentando análises sociológicas, que em geral só contemplam aspectos estéticos, ignorando as relações entre literatura, produção/interpretação/interação, contrato de comunicação e sujeitos da linguagem/papéis linguageiros. São justamente estes aspectos “esquecidos” que pretendemos enfatizar, embora saibamos que, apesar das afinidades entre os contextos de produção e interação, essas representam, apenas, alguns dos vários flancos, que equacionam a recepção.
Charaudeau (1984) propõe que a linguagem, em seu duplo processo de produção e de interpretação, é uma interação e é também o feito de seres psicossociais, que são testemunhas, mais ou menos conscientes, de práticas sociais e de representações imaginárias de sua comunidade.
Partindo dessa afirmação e alicerçados no pressuposto de que todo tipo de produção de linguagem é, por essência, uma ação que supõe produção/interpretação, ou seja, interação, salientamos a importância vital dos sujeitos nos atos linguageiros.
Considerando os termos da Teoria Semiolingüística (Charaudeau, ib), pressupomos que em toda interação linguageira há, pelo menos, dois parceiros – o sujeito-comunicante (EUc) e o sujeito-interpretante (TUi) – implicados na expectativa de uma relação contratual. Essa relação contratual não se repousa sobre bases objetivas, fixadas pelos estatutos sociais dos parceiros fora da situação. Ao contrário, ela depende das expectativas construídas através do ato de linguagem, o que faz com que esses parceiros só existam, na medida em que se reconhecem um ao outro com os estatutos por eles estabelecidos e definidos contratualmente. Deste modo, o sujeito-comunicante (EUc) é o parceiro que tem a iniciativa do processo de produção: ele procede à encenação do dizerem função de uma intenção, ou seja, de um projeto de palavra (– O quê dizer?) e de uma maneira de falar (– De que modo dizer?), que se liga a estratégias de manipulação (– Como dizer o que vou dizer de modo a convencer o meu parceiro?). Através desse jogo comunicativo de interação linguageira, o sujeito-comunicante desdobra-se em um sujeito-enunciador (EUe) que, ao executar o seu projeto de palavra, inscreve, lingüisticamente, no seu enunciado, um sujeito-destinatário (TUd). Esses sujeitos se definem como seres de fala da enunciação do dizer, pertencentes ao mundo de palavra (oral ou escrita). Lembremo-nos que esse dizer tem na sua base um sujeito-comunicante (EUc) e será interpretado pelo sujeito-interpretante (TUi): se o EUc e o TUi são os parceiros da comunicação, o EUe e o TUd são os protagonistas da interação linguageira.
Por esse motivo, ponderamos que a produção de linguagem se efetiva por meio de um dispositivo linguageiro, estabelecido em dois níveis: um nível situacional, onde se realiza um contrato de troca, definido pelas finalidades e restrições do ato linguageiro; e em um nível discursivo, onde se realiza um contrato de fala, que define a maneira pela qual deve-se desenrolar a troca linguageira.
Nessa concepção, o sujeito da situação (EUc) é um ator social, engajado em um processo de influência: ele possui um estatuto (administrativo, profissional, etc) e uma identidade categorial (idade, sexo, classe social, etc). Tal ponto de vista nos conduz a explicitarmos quem é o sujeito-comunicante do nosso corpus, como também a evidenciarmos o sujeito-enunciador do ato de linguagem, responsável pelo modo de dizer.
Nesse jogo verbal, o como dizer é, certamente, a peça-chave que nos conduz ao contrato de fala e, por conseguinte, ao sujeito-destinatário. Atrevemo-nos a considerar esse como dizer como uma espécie de luz que, ao iluminar a parte interna do quadro linguageiro, revela os sujeitos de fala que aí se constituem.
Iniciamos nossa aplicação prática partindo do pressuposto de que é possível estudar a linguagem levando em conta a dimensão psicossocial. Dito de outra forma, uma teoria do discurso não pode prescindir de uma definição dos sujeitos do ato da linguagem. Podemos então considerar que todo ato de linguagem é o produto da ação de seres psicossociais que são testemunhas, mais ou menos conscientes, de práticas e de representações imaginárias de sua comunidade. Sendo assim, o ato de linguagem não é totalmente consciente e é subsumido por um certo número de rituais sociolinguageiros, em que se combinam o dizer e o fazer.
O fazer é o espaço da instância situacional que se define pelo lugar que ocupam os responsáveis desse ato (parceiros). O dizer é o espaço da instância discursiva que se define como uma encenação da qual participam seres de fala (protagonistas). Esse conjunto de hipóteses, Charaudeau (1984) define no quadro teórico que é representado pela figura 1.
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Com base no quadro, propomos que todo ato de linguagem é um processo de troca linguageira, regido por um contrato de comunicação, que se realiza em dois níveis, como destacamos anteriormente: o nível situacional ou espaço externo e o nível discursivo ou espaço interno das trocas linguageiras. No espaço externo se encontram o sujeito-comunicante (EUc), parceiro que tem a iniciativa do processo da produção, dotado de uma identidade e de um estatuto, e o sujeito-interpretante (TUi), também dotado de identidade e estatuto. O TUi é o responsável pelo processo de interpretação.
No espaço interno se encontram os seres de fala da enunciação do dizer: EUe e TUd. Esses seres de fala assumem diferentes papéis, que lhes são atribuídos pelos dois parceiros do ato da linguagem (EUc e TUi), em função da relação contratual. Os papéis são assim concebidos como comportamentos linguageiros, correspondentes a três componentes da relação contratual: o psicossocial, o comunicacional e o interacional, que são índices semiológicos da encenação do dizer.
De acordo com as reflexões realizadas, podemos supor que a narrativa literária “infantil” O menino marrom seria constituida mediada por um contrato de comunicação, que se realizaria em dois níveis: no nível situacional e no nível discursivo.
Nessa narrativa, o nível situacional dá lugar a um contrato de troca, que se define tendo em vista as restrições sociais que limitam e regulam a produção dos discursos, como também tendo em vista uma finalidade interacional do EUc(autor Ziraldo) que responde às seguintes perguntas:
– Eu, Ziraldo, me encontro aqui para dizer o quê para o meu leitor?
– Que papéis sociais eu e o meu leitor representamos aqui?
A tentativa de responder a essas perguntas se vincula, como mencionamos na introdução, ao nosso empreendimento atual, no sentido de compreender a conversão do discurso do EUe, em um ponto comum de referências, que delineia um perfil de leitor na estrutura do texto.
De início, não é demais lembrar que o texto em estudo tem na sua base o escritorZiraldo (EUc), um ator social engajado em um projeto de influência. Dotado de uma identidade que lhe confere o nome de Ziraldo Alves Pinto e empossado do estatuto de jornalista e autor de livros de literatura para crianças, provavelmente, esse EUc objetiva influenciar o seu leitor. Tal influência parece realizar-se no nível discursivo, mediado pelo contrato de fala, que define o desenrolar da troca linguageira e que pode ser representado pela seguinte questão:
“– Eu, Ziraldo, estou aqui para falar como, para representar qual papel linguageiro?”
A partir da pergunta acima, parece-nos pertinente e oportuno mostrarmos a dependência do contrato de fala em relação ao contrato situacional. Tudo perece-nos indicar que o como falar depende dos comportamentos linguageiros, esperados e engendrados pela finalidade do ato de comunicação (projeto de influência), definidos no quadro situacional.
Falarmos do nível situacional é, por conseguinte, falarmos também do nível discursivo do livro: nível em que efetivamente se realiza o discurso. Assim, desdobrando-se nesse cenário, o autor Ziraldo (EUc) desloca-se do nível situacional (contexto histórico-social amplo e imediato) para o mundo de palavra (contexto da palavra oral ou escrita), constituindo-se em um ser de fala (EUe). Esse ser de fala (EUe), ao efetivar o seu projeto de fala, institui o seu outro, enquanto ser da fala (TUd).
Maingueneau (1996:35) chama este TUd de leitor instituído:
Pode-se definir leitor instituído como a instância que a própria enunciação do texto implica, já que o último pertence a este ou àquele gênero, ou, mais amplamente se desdobra neste ou naqueles registros.
Segundo Maingueneau, a história que conta só surge a partir de sua decifração por um leitor empírico, com base nas marcas textuais que constituem o leitor instituído. Isso quer dizer que o leitor instituído de Maingueneau, sujeito-destinatário (TUd), na teoria de Charaudeau, é um ser de palavra que se evidencia por meio de marcas discursivas explícitas (mostradas) ou implícitas (constitutivas), inscritas no nível discursivo.
Citamos, a seguir, algumas marcas lingüísticas de inscrição do TUd na obra em análise. Vejamos os exemplos [1], [2] e [3], abaixo.
[1] “Olha, dizem os estudiosos e especialistas que não existe cabelo humano absolutamente preto. Você? Sabia?”
[2] “Vocês conhecem aquela canção que diz ...”
[3] “O autor da música não iria mentir prá gente.”
Os exemplos [1], [2] e [3] mostram a maneira pela qual o narrador interpela diretamente o TUd, por meio de emprego do verbo no imperativo (olha) e de atos ilocutórios diretivos tais como:
“Você? Sabia?”
“Vocês conhecem ...?”
Além disso, o narrador invoca o leitor como se ele fosse membro integrante de seu grupo de convívio. Fato que podemos observar em [3], através da expressão prá gente.
Um outro processo discursivo de inscrição do TUd, dentre os muitos que consideramos importantes, e que também confirmam as estratégias discursivas de aproximação entre o narrador e o leitor em busca de cumplicidade, podemos confirmar através dos exemplos [4], [5], [6], [7] e [8], que listamos a seguir.
[4] “A gente diz que eles são clarinhos. Aliás até repete: clarinhos, clarinhos!”
[5] “Vocês sabem: os bemóis e os sustenidos são as cáries do piano.”
[6] “Menino é mais criativo do que adulto, sabe por quê?”
[7] “Viu? Algum adulto seria capaz de inventar uma diferença dessas? Só criança é capaz de observar as coisas com olhos de primeira vez. Você, por exemplo, que já aprendeu muita coisa, tem que ficar atento.”
[8] “Que ele era um menino muito bonito, acho que dá para ver pelo desenho, não dá?”
O estudo dos exemplos citados nos traz a perspectiva de que o narrador inscreve o seu leitor na obra (TUd) utilizando-se de marcas textuais, tais como: a constante interpelação por meio do pronome pessoal você(s), explicitamente marcado, como podemos constatar nos exemplos [1], [2], [4] e [7]. Essa interpelação do TUd também se dá por meio da pessoa verbal, como observamos nos exemplos [6] e [7]: “Viu?” “Sabe por quê?
A expressão a gente, muito utilizada pelo narrador, é um marcador típico da oralidade, que ocorre, geralmente, na conversação natural, espontânea e livre do dia-a-dia. Um outro tipo de marcador conversacional, com extenso emprego, é o sinal do falante que se orienta para o ouvinte (nesse caso o leitor), às vezes pré-posicionados como no exemplo [7]: Viu?; às vezes pós-posicionados como nos exemplos [1], [6] e [8]
...Você? Sabia?
..., sabe por quê?
.... dá para ver pelo desenho, não dá?
O uso largo dos sinais conversacionais, como estratégia de inscrição da oralidade na narrativa e, desta forma, do sujeito-destinatário (TUd) no discurso, traz para a narrativa uma função altamente comunicativa.
Vejamos outros exemplos:
[9]“Vê aí se a sua professora sabe o que quer dizer C.Q.D. Depois me conta.”
[10]“Vou contar um segredo de autor para vocês.”
[11]“Querem ver?”
[12]“E aí, sabe o resultado do que deu?”
[13]“Agora, meu Deus, me digam: onde foi ...?”
No exemplo [10], o enunciado Depois me conta, típico da oralidade, inscreve o TUd no discurso como um cúmplice do narrador.
Observando os exemplos [9], [10], [11], [12] e [13], notamos o discurso do texto, enquanto organismo vivo que constrói a relação texto e leitor. O sujeito-enunciador [EUe], ao construir a narrativa, utilizando recursos discursivos típicos da oralidade, assina o seu discurso presentificando o oral no escrito como um meio de persuasão e de sedução do TUd em direção ao TUi. O leitor se inscreve, estrategicamente, como cúmplice de um narrador que se revela, discursivamente, como um contador de causos, inscrevendo o TUd como aquele que ouve e participa dos seus causos. O livro emerge, desta forma, como uma conversa amigável, ‘ao pé do discurso’, entre narrador e leitor.
Outra expressão muito usada no texto é o sintagma nominal todo mundo.
Vejamos em [14], abaixo:
[14]“Todo mundo conhece o disco de Newton, não é verdade? Todo mundo já foi ao laboratório da escola, certo? Ou a sua escola não tem laboratório?”
Esse sintagma nominal materializa mais um dos signos impulsionadores (significantes), utilizados pelo narrador como meio de inscrição do leitor na narrativa, todavia esse leitor pode inserir suas representações por ocasião da produção de leitura.
Assim, em [14] notamos que o sujeito-destinatário(TUd) da obra em estudo, além de ser inscrito como cúmplice do narrador, é denotado também como uma criança, isto porque, freqüentemente, o narrador interpela o seu leito-insituído, explicitando as vantagens de ser criança, em relação a ser adulto. Captamos essa relação, em que o enunciador explicita uma criança como a sua imagem de leitor, em [6] e [7], já enumerados.
As perspectivas do texto apontam para um sujeito-destinatário criança, em fase escolar, o que se manifesta verbalmente no exemplo [14], a partir do sintagma nominal a sua professora que, na narrativa, funciona como axiológico. Dito de outra forma, o vocábulo professora funciona como índice de sentido, que carrega consigo a simbologia da educadora dos primeiros anos da escola fundamental (antiga escola primária), isto porque faz parte do imaginário social a presença da professora (mulher/mãe/tia...) na primeira fase da vida escolar da criança.
Se supomos tal análise, cabe-nos postular uma tentativa de aplicação do quadro teórico de Charaudeau à obra em estudo, para demonstrarmos que há, certamente, uma assimetria estrutural que efetiva uma determinada imagem de leitor para a plena realização do texto.
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Conclusão
Ao explicitarmos as marcas lingüísticas que inscrevem o TUd na obra em análise, chegamos à provável conclusão de que tal obra supõe como leitor uma criança em fase escolar. Essa criança inscreve-se na narrativa como personagem cúmplice, instituída pelo narrador, que busca a veracidade para o seu discurso, dando vida ao TUd e transformando-o em elemento fundamental da narrativa.
O leitor-destinatário deixa de ser contemplativo, simples inscrição lingüística, para fazer parte ativa da obra, transfigurando-se em uma personagem inscrita e instituída pelo enunciador.
Podemos dizer, por conseguinte, que o sujeito-enunciador (EUe) tece o seu discurso com linhas significativas e simbólicas que buscam a sua aproximação com o sujeito- destinatário (TUd).
Por meio de uma constante interpelação e da recursividade à oralidade, o EUe, além de instituir uma parceria com o TUd, o inscreve como personagem da narrativa. Dito de outra forma, acreditamos que o TUd está tão efetivamente inscrito na obra O menino marron que se o sujeito-interpretante (TUi ® o possível leitor empírico), for uma criança, possivelmente, se sentirá parte integrante do universo de sentido instituído pelo mundo do narrado.
O TUi / criança, ao produzir a leitura e interpretação da obra, provavelmente, se sentirá dono exclusivo do narrado. Isso quer dizer que, o mundo estratégico criado pelo EUe, fará com que a criança acredite que o livro foi escrito exclusivamente para ela, que se sentirá parceira absoluta da conversa ao pé do discurso que o EUe constrói por meio de sua rede de artimanhas textuais e discursivas.
A. Corpus experimental:
PINTO, Ziraldo Alves. O menino marrom. São Paulo: Melhoramentos, 1986.
B. Suporte Teórico:
CHARAUDEAU, P. Langage et discours. Paris: Hachette, 1984.
_____. “Une théorie des sujets du langage” In: Modèles linguistiques, X. Fasc.2, Lille, 1988.
_____. Grammaire du sens et de l’expression. Paris: Hachette, 1992.
_____. Catégories de langue, catégories de discours et contrat de communication. In: Parcours linguistique de discours spécialisés. Berne: Peter Lang.
_____. Une analyse sémiolinguistique du discours. In: Langages. 111.Paris, Mars-1995:96/111.
_____. Le dialogue dans un modèle de discours. CLF 17. Unite de Linguistique Française, Faculté de Lettres. Université de Genève, 1995.
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CRUZ, A. R.; MACHADO, I. L.; LYSARDO-DIAS, D. Teorias e práticas discursivas: estudos em Análise do Discurso. Núcleo de Análise do Discurso FALE – UFMG, Carol Borges, 1998.
MACHADO, Ida Lúcia (org.). Análises de Discursos. Sedução e persuasão. (1ª parte) Cadernos de Pesquisa. Belo Horizonte: NAPQ – Núcleo de Assessoramento à Pesquisa. Faculdade de Letras: UFMG, n. 10, Setembro, 1993.
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_____. Pragmática para o discurso literário. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
1Linguageiro é tradução do termo francês langagier, e diz respeito a tudo que se refere à linguagem.